Dando continuidade à narrativa sobre aquela que seria minha Fórmula 1 ideal dentro das possibilidades atuais, é hora de abordar temas como pistas, testes, mídias e pontuação.
Do alto de quase setenta anos de história, quando olhamos para o passado chega a soar meio irreal que os melhores carros e pilotos do mundo já tenham se digladiado em praças como Pescara, o traçado Norte de Nürburgring, a antiga pista de Spa ou a versão completa de Monza, sem chicanes e com as curvas inclinadas. Seguindo uma lógica compreensível – se não inevitável – o processo de seleção de pistas afastou-se gradativamente de critérios como a tradição do país no esporte e o desafio oferecido pelo traçado, privilegiando cada vez mais – em ordem crescente de importância – a segurança, a facilidade oferecida à cobertura televisiva, as instalações e, sobretudo, a margem de lucro proporcionada, a curto ou médio prazos. O maior símbolo desta inversão reluz em Abu Dhabi, no complexo que já chamei de “antiautódromo”, justamente por oferecer uma pista absolutamente medíocre e enfadonha como coadjuvante de uma estrutura turística e de entretenimento que materializa o ideal desta Fórmula 1 do início do século XXI.
Ora, os aparatos de segurança ativa e passiva evoluíram demais nos últimos quarenta anos, bem como a tecnologia para transmitir eventos ao vivo. Hoje corre-se no circuito conjugado de Nürburgring durante as tradicionais 24H, e não seria tão difícil ampliar tal estrutura para receber a F1 numa condição satisfatória, ainda que mais complexa que a das demais pistas. Da mesma forma, parece razoável supor que o apelo atrelado a traçados míticos seria um fator de atração a novas e velhas audiências, tornando certas extravagâncias possivelmente viáveis num planejamento plurianual.
Gostaria de ver no calendário pistas de raiz, tais como Enna-Pergusa, Mugello, Monza com as curvas inclinadas, Laguna Seca, Road America, Interlagos, Spa (se possível a versão antiga), Nürburgring completa, Ascari Race Resort, Clermont Ferrand, Le Castelet completa, Zeltweg restaurada, Portimão, Mônaco, Phillip Island, Mount Panorama, Adelaide, Brands Hatch, Istambul Park, Assen, Suzuka, Brno, e o Circuito da Guia, entre outras. Além disso, sempre que possível, seria desejável ter ao menos uma estreita faixa de caixa de brita delimitando o traçado, a fim de resgatar entre os pilotos o respeito pelos limites da pista.
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Num calendário com algo entre 18 e 20 corridas anuais – e eventualmente provas extracampeonato ou voltadas a distribuir bonificações patrocinadas, como o saudoso Marlboro Challenge, na Indy – minha temporada ideal teria possivelmente quatro sessões de testes coletivos espalhadas ao longo do ano, a maior parte delas no primeiro semestre.
Quanto ao sistema de pontuação, acredito que ampliar a zona de bonificação até os dez primeiros tenha representado um avanço. Todavia, a elevação de 10 para 25 pontos por vitória, a fim de propiciar maior margem para uma proporcionalidade mais justa, teve o efeito colateral de dar enorme peso a abandonos por falha mecânica, especialmente entre os conjuntos mais fortes. Assim, de modo a atenuar esta distorção, cada piloto teria o direito de descartar seus dois piores resultados ao longo da temporada.
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Por fim, uma vez que seria impossível cobrir aqui todos os aspectos desta Fórmula 1 idealizada, cabe tecer algumas ponderações a respeito da relação que poderia se estabelecer entre a categoria e as novas mídias.
Parece claro que o caminho para a F1 se apresentar devidamente às novas gerações passa por um planejamento atualizado que dê à internet sua devida importância. Fotos, matérias históricas, informações aprofundadas (como mapa das corridas), canais de interatividade, promoções, moralização da distribuição de credenciais – incluindo esta juventude que entende tudo do assunto e forma opinião em redes sociais e sites, e por aí vai.
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Imagine, por exemplo, se fosse oferecido um serviço de streaming disponibilizando todas as gravações existentes sobre a F1. Treinos, corridas, material de bastidores… Não sei quanto aos amigos, mas eu pagaria um valor de mercado para ter acesso a isso, e tenho certeza que a distribuição correta desta nova receita obtida a partir de “material morto” seria suficiente para viabilizar o uso de tais imagens que, cá entre nós, em grande parte já circulam livremente pelos mares piratas da internet.
Todo ano lemos que a audiência mundial foi menor que no ano anterior. Ok, mas eu pergunto: os jovens de hoje não gostam mais de carros? Não curtem acelerar? Ora, quantos desses meninos e meninas não se interessariam pelo esporte se o conhecessem melhor?
Renovação, portanto, é a palavra central para o futuro da Fórmula 1. Renovação de audiências, de regulamentos, de pistas. Não uma mera busca ao passado, abrindo mão da criatividade ou das possibilidades atuais, mas sim uma busca por boas diretrizes já testadas, que certamente poderiam ser muito melhor exploradas no presente, quando entregues a mentes jovens e suas tecnologias de vanguarda.
Parece dizer muito sobre nossa condição humana que certas coisas tenham funcionado melhor no passado simplesmente por que sabíamos menos, e que hoje, com os novos conhecimentos, não consigamos mais respeitar certos limites.
Para encerrar, reafirmo o que falei no texto que abriu esta série: o grande norte à frente da Fórmula 1 deveria ser a busca por um meio de limitar de forma eficiente o orçamento das equipes, para assim poder afrouxar as outras amarras e dar mais liberdade criativa, de testes e de concorrência a equipes, parceiros e fornecedores.
Apesar de ter muito de utopia, tenho certeza que algumas das ideias aqui expostas teriam viabilidade quase que imediata.
E você, amigo e leitor? Como seria sua F1 ideal, em relação a estes e outros aspectos?
Forte abraço a todos















Paulo C. Winckler.
20/04/2017Prezados Amigos do GPTOTAL.
Eu gostaria de publicar uma Ressalva e um pedido de desculpas, em virtude de um erro que cometi , ao escrever meus comentários.
Errôneamente , escrevi que o Festival Nacional Do Álcool , ocorreu em 07 de Setembro de 1977. A DATA CORRETA É: 07 de Setembro de 1979.
Sendo assim , agradeço a oportunidade que este maravilhoso Site permite , em que eu faça a correção, para a data correta , do citado Festival.
Forte abraço à Família GPTOTAL.
Paulo C. Winckler.