Foi lindo ver Pastor Maldonado vencer domingo. Certamente se fosse Bruno Senna a cruzar a linha de chegada em 1ª o Brasil viria abaixo. Mas… e se fosse Rubens, o velho quase quarentão Rubens?
Nada fácil

Às voltas com uma adaptação que aparentemente não está sendo moleza na Fórmula Indy, não deve ter sido fácil para Rubens Barrichello ver Pastor Maldonado vencer o GP da Espanha com tanta propriedade. Isso deve ter feito Rubens envelhecer ainda mais, amargurado por pensamentos que não vêm de sentimentos pequenos, espero, mas sim da sensação de ter estado lá e sentir ainda poderia estar lá
Imagino o furacão de lembranças que o mais longevo de todos os pilotos brasileiros na F1 – 322 largadas! – deve ter sentido ao ver as imagens do carro azul e branco derrotando o vermelho malvado, aquele que tanto o maltratou e do qual tanto tem saudade.
Rememorar as passagens em que por pequenos ou grandes detalhes perdeu a chance de se cobrir de glória deve ser uma rotina que Rubens tenta evitar, mas não consegue. Foram muitos anos, acontecimentos, alegrias e dores. E um final não planejado, mas compulsório: ele queria continuar na F1, mas não mais o quiseram por lá.
Certamente esta inesperadamente competitiva Williams é, em algum percentual, herdeira de seus anseios. De carro medíocre em 2010 e 2011, se transformou em vencedor em 2012 e por mais que tenha mudado tecnicamente, será impossível não imaginar que, de alguma forma, nessa reencontrada competitividade, há dedo de Rubens.
E como em pesadelos recorrentes, isso já havia acontecido antes. E Rubens não estava fora, como agora, mas dentro. Falo da Brawn, que dos restos da sofrível Honda fez um carro campeão, que deu ao paulistano a última de suas vitórias na F1, no GP da Itália de 2009, no lendário circuito de Monza, a pátria de seus ancestrais. E também a real chance de ser campeão, uma inesperada e tardia chance mas que foi palpável – e perdida. Com certeza doeu mais não ser campeão com a Brawn, perdendo para Jenson Button, do que não ser campeão na Ferrari, perdendo para Michael Schumacher.
Não é qualquer mané que tem no seu currículo onze vitórias na F1. Um b… qualquer não se transforma em vice-campeão da maior categoria do automobilismo mundial duas vezes. Na véspera de completar 40 anos – dia 23 de maio próximo – Rubens (detesto chamá-lo de Rubinho…) sorrirá, olhará para trás e verá que fez o possível. Será agradado, confortado, comemorado, mimado, homenageado mas… domingo passado sofreu ao ver o garoto, o ex-companheiro Pastor, vencer.
Sabe que poderia fazer igual, sabe que teve chance de fazer igual – e fez, onze vezes. Só que, agora, realiza que seu tempo passou. E isso deve doer pois ele, como todos os outros que estiveram na F1 e dela saíram sem o título de campeão mas que passaram bem perto de conseguirem, convivem com um “caroço” na mente: por que cheguei tão perto e não consegui?
Na mediocridade das nossas corriqueiras atividades profissionais – ser funcionário, ser mais um, ser meramente mais um na nossa área –, a dor da possibilidade perdida não é tão cruel. Porém, chegar à F1, sentar nos melhores carros, viver o “grand monde”, ver colegas de equipe atingirem em cheio o alvo e você não é crudelíssimo.
Nunca pertenci ao fã clube de Rubens Barrichello. Quando ele chegou à F1 meus ídolos no automobilismo já haviam se aposentado. Um deles, veja você, foi um dos que acreditaram no taco de Rubens: Sir Jackie Stewart. Todavia ao apedrejamento do rapaz também jamais compareci, sabendo que o que mais o atrapalhou na carreira não foi falta de talento mas sim o cruel comparativo ao qual nossos compatriotas o submeteram. Nada fácil herdar o trono de reis como Fittipaldi, Piquet e Senna, certo? E fora isso, a língua de Rubens, as declarações inconvenientes em momentos mais inconvenientes ainda.
Porém, a Rubens Barrichello o que é de Rubens Barrichello: ninguém permanece tanto tempo na F1 se não for um piloto especial, um ungido pela fada com talento superior, talento este que eu, você e mais a grande maioria dos que gostam de automobilismo adoraríamos ter ao menos um décimo.
Foi lindo ver Pastor Maldonado vencer domingo. Certamente se fosse Bruno Senna a cruzar a linha de chegada em 1ª com a Williams o Brasil viria abaixo. Eu particularmente estaria enjoado nesse instante de tanta babação global em cima do primeiro-sobrinho. Mas… e se fosse Rubens, o velho quase quarentão Rubens?
Poderia ter sido, mas não foi. E não deve ter sido nem estar sendo nada fácil ser Rubens Barrichello e ver este inesperado 2012 da Fórmula 1.
Roberto Agresti




Comments
Lucas
Não entendo como ainda há quem diga coisas como ”há dedo de Rubens”, ”o que Rubens faria com esse carro…” e afins. É sabido e visto o que Rubens faria. Seria vice-campeão, ou nem isso, como em 2000, 2001, 2003, 2005, 2009, quando teve carros dominantes e não soube fazer frente aos companheiros. E não era quem dizia, em fins de 2010 que o carro bom mesmo seria o de 2011? E já se deram ao trabalho de comparar os resultados de 2011 com os de 2010? Pois é.
Mauro Santana
Amigos do GPTotal!
Minha opinião!
Uma coisa foi Barrichello ter de enfrentar o Schumacher na Ferrari, outra coisa foi ele nem conseguir o vice campeonato pela Brawn enfrentando Button, que vamos e venhamos, não era nenhum “bicho papão”.
E não me venham com aquele papo, “Ah, mas o Button é inglês, e por isso, a equipe inglesa facilitou”.
Piquet teve o mesmo problema na Williams, e todos sabem o resto da história.
A verdade, é que o bonde do Barrichello passou pra ele já faz tempo na F1, e infelizmente, ele nunca irá perceber isso.
Abraço!
Mauro Santana
Curitiba-Pr
Fabiano Bastos
Realmente deve estar sendo duro para o Rubens assistir a todo o sucesso que a Willians vem alcançando nesta temporada. Mas deve estar sendo mais duro ainda para a direção da equipe saber que com um piloto um piloto mais experiente eles já poderiam ter ido muito mais longe, pois o carro era muito bom desde a primeira corrida e somente agora, na quinta prova, é que conseguiram colher bons frutos, mas somente com um dos carros. Não tenho nada contra o Bruno, muito pelo contrário, mas tenho certeza que fosse o Barrichello conduzindo sua Willians, a equipe estaria mais perto do topo da tabela dos dois campeonatos.
Allan
Realmente há uma “sina” que o persegue – basta lembrar que mesmo MUITO superior à Herbert em 99, foi este quem deu a única vitória à Stewart… Mas o inglês não era um qualquer, como Button também não o é – o (pouquíssimo) tempo que separou seu título da primeira vitória da McLaren (e a segunda, terceira… o vice no ano passado…) mostrou o quanto Rubens teve adversários muito fortes side-by-side nos boxes… Nunca critiquei o Maldonado, pelo contrário, sempre o via como um Hamilton de sangue latino, e o também mínimo tempo de F1 mostrou que eu estava certo. Com um bom carro (veja, NÃO o melhor, aliás, no máximo em Barcelona um dos 5 melhores) venceu soberbamente. Talvez nem Hamilton pudesse vencê-lo naquele dia (ok, Lewis conseguiu terminar na frente de Button, mesmo largando em último, com uma parada a menos! Ou seja, poupando pneus, que jamais foi sua praia… Se tivesse mais uma parada, com direito a queimar bastante borracha, seria sim mais candidato a vitória do que qualquer um). Mas é talvez. A glória é do valente Maldonado.
Quanto a coluna, Agresti, simplesmente perfeita. Pensei bastante nisso esses dias pós-Barcelona, sobre o azar de Rubens, mas sinceramente acho que Maldonado evoluiu ainda mais do que ano passado. Mas é certo que, com um carro desses, Rubens beliscaria talvez um pódio de despedida…
Fernando Marques
Roberto,
o que realmente está acontecendo na Formula 1 este ano? … Em 5 etapas realizadas, 5 vitorias de pilotos e equipes diferentes … ressucitação de mortos (no caso da Willians) … a Sauber andando bem, a Lotus perto de uma vitoria, a RBR sofrendo, a Mclaren sofrendo, a Ferrari ora anda bem ora anda mal … estaria isto tudo acontecendo por causa dos pneus Pirelli que funciona bem para uns numa pista e bem para outros em outra pistas? … Ou será que neste ano existe mesmo equilibrio de forças entre as equipes? …
Com relação ao Barrichello, creio que a historia dele na Formula 1 acabou de vez… não tem volta … e que ele consiga ao menos ser tão feliz na Indy como ele diz ter sido na Formula 1 … se não for campeão, que conquiste vitorias e vices campeonatos …
Fernando Marques
Niterói RJ